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As Origens do Trabalho Metodista no Bairro de Santa Tereza, Belo Horizonte/MG

Como já dissemos certa vez, a expansão da Estrada de Ferro Central do Brasil – antiga D. Pedro II – constitui-se num fator histórico determinante para a chegada do metodismo a várias cidades mineiras, assim como aos diversos arraiais, inclusive à Belo Horizonte, elevada a capital do Estado somente em 12 de dezembro de 1897. Concomitantemente, à inauguração da nova capital, o metodismo assumia o seu espaço no seio da cidade, constituindo-se o primeiro grupo a fazer investimento missionária em suas secções urbanas, já que recebera da intendência da capital um terreno na primeira secção urbana da cidade.

A partir do estabelecimento da Igreja Metodista no Bairro do Centro é que surgiram várias comunidades nos bairros adjacentes à esta área da cidade, como é o caso da Igreja Metodista no Bairro do Quartel (Sta. Efigênia). Assim, temos notícia também das iniciativas para um trabalho metodista no arraial de Venda Nova (área anexada posteriormente à Belo Horizonte), entre outros. Nos idos de 1935, com uma comunidade já consolidada, a Igreja Metodista Central de Belo Horizonte parte, com o apoio e interesse de alguns de seus membros, para a inauguração da Escola Dominical no Bairro Santa Tereza, instalada inicialmente à Rua Estrella do Sol, n° 157. 

Imbuídos, portanto, de um sentimento missionário é que propomos narrar mais um capítulo da história do metodismo no seio do nosso Estado, seguindo a intenção de recontar (e/ou resgatar) as origens das comunidades e das igrejas estabelecidas na amplitude da 4ª RE. Reconhecemos assim, a importância histórica da Igreja Metodista no Bairro Santa Tereza na amplitude da nossa região e da comunidade metodista da Grande Belo Horizonte, especialmente por considerarmos a sua iniciativa missionária de se organizar a partir de uma Escola Dominical um item fundamental da história eclesiástica do metodismo mineiro.

 

A escola dominical: o início de tudo...

 

 

Como várias outras comunidades locais, a Igreja Metodista no Bairro Santa Tereza nasceu da criação de uma Escola Dominical “aos 24 dias do mês de fevereiro de 1935, a 1 hora da tarde, em casa do irmão João L. Shiess”. Conforme a “Ata de inauguração da Escola Dominical, no Bairro de Santa Tereza”, “os trabalhos dominicaes” [dominicais] foram iniciados com o cântico do hino n° 120 do Hinário Evangélico (Cf. Ata de Inauguração da Escola Dominical Metodista, no Bairro Santa Tereza, p. 2).

A secretária e redatora da Ata de inauguração do trabalho, assinalou: em seguida, “dirigiu-nos em oração a irmã D. Zilda Soares. Logo após, foi designado por votos dos presentes [haviam 37 presentes, sendo 5 visitantes], para ocupar os seguintes cargos os irmãos: D. Zilda Soares para superintendente da Escola. Zilas Soares para secretária e João Navarro, tesoureiro” (Cf. Ata de Inauguração da Escola Dominical Metodista, no Bairro Santa Tereza, p. 2).

No assentamento da Ata, a secretária, cuidadosamente, ratificou que “esta diretoria foi aprovada [posteriormente] pelo pastor da Igreja Metodista Central, rev. Osvaldo L. da Silva”. Outro cuidado interessante é com o registro da lição estudada neste primeiro encontro fundante da comunidade de Santa Tereza. Conforme os próprios registros, feitos por Zila Soares, encontramos: “Foi feita a leitura responsiva da lição que se acha em Atos cap. 5: v. 1 a 11. Título da lição: Pedro condena a mentira”. Em seguida, as classes se separam [ou se organizam] para o estudo bíblico.

Assinaram a Ata de Inauguração e Constituição da Escola Dominical Metodista no Bairro Santa Tereza as seguintes pessoas: Zilda Soares, Lilita Días, João Luiz Shiess Oclydes Chiess, João Monteiro Navarro, José Fernandes da Fonseca, Elzira Shiess, Ezio Schiess, Christina Schiess, Sidney Schiess, Paulo Soares, Dalé Soares, José Alves Quintino, Irma Schiess, Maria Magdalena, Judith Ferreira, José Siqueira Días [O restante do nome está ilegível], Maria Alves Quintino, Saturnina Mendes, Palmyro Segato, Zila Soares, Zorquinha Dias [Dúvida sobre o 1° nome], Elda Soares e Anna Batista Avelar.

Ao longo da caminhada de estabelecimento da Escola Dominical, a comunidade metodista do Bairro Santa Tereza transpareceu-se organizada no que tange a seus registros iniciais e essenciais, podendo, hoje, socializar melhor a sua história com toda a comunidade metodista da Grande Belo Horizonte e da 4ª Região Eclesiástica. À modo de conclusão, queremos reafirmar o fundamento do ensino bíblico, inabalável e invariável em nossas classes dominicais,  sabendo que é no espaço da Escola Dominical que nutrimos a fé, o amor, a esperança, o conhecimento da vontade de Deus e a santificação.

 

 Bibliografia:

Ata de Inauguração da Igreja Metodista no Bairro Santa Tereza. Belo Horizonte: 1935. [Escola Dominical de Santa Tereza – Registro de Actas].

Kennedy, James L. Cincoenta annos de Methodismo no Brasil. São Paulo: Imprensa Metodista, 1928.

Relatórios de Prefeitos 1899-1902. Arquivo Público de Belo Horizonte. Índice de relatórios ano de 1902 - Item 3.12 - vol.1 - 1902 - Construção da Igreja Metodista.


Gercymar Wellington Lima e Silva

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