20º Artigo de Religião do Metodismo Histórico
Nesta edição vamos dar continuidade aos nossos estudos doutrinários, conhecendo o 20º Artigo de Religião do Metodismo Histórico: “Da oblação única de Cristo sobre a cruz – A oblação de Cristo, feita uma só vez, é a perfeita redenção, propiciação e satisfação por todos os pecados de todo o mundo, tanto o original como os atuais, e não há nenhuma outra satisfação pelo pecado, senão essa. Portanto, o sacrifício da missa, no qual se diz geralmente que o sacerdote oferece a Cristo em expiação de pecados pelos vivos e defuntos, é fábula blasfema e engano perigoso”.Vale apenas destacar que, embora a palavra “oblação” signifique sacrifício a Deus, oferenda, oferta e oblata, dentro da visão teológica romana toma o sentido de oferendas a Deus ou aos santos em nome de uma causa, prática de caridade, de obras santas ou devotas em nome ou em favor de pessoas mortas. Como você pode observar, uma prática absurda, herege e anti-bíblica do catolicismo romano.Muitas pessoas ingênuas até pensam que a missa seria uma prática semelhante à de um culto no protestantismo, mas engana-se profundamente quem assim interpreta, pois a missa é a prática simulada de um sacrifício de Cristo feito pelo sacerdote romano, através da eucaristia – o corpo e o sangue de Jesus Cristo.Imagine o absurdo bíblico e teológico desta prática, pois o sacrifício de Jesus Cristo na cruz foi, é e sempre será ÚNICO. Quando há uma “missa de sétimo dia” por alguém que morreu, o sacerdote romano está buscando, através da prática da missa, uma bênção sacrificial para perdão de pecados em favor do morto ou defunto. Isto descaracteriza e isenta cada ser humano da sua responsabilidade perante Deus e o próximo durante a sua vida, pois, depois de morto, poderá obter o perdão por suas atitudes irresponsáveis através da missa.Nós, metodistas, somos contrários a este pensamento e prática doutrinária do catolicismo romano, pois, além da mesma ser uma prática absurda, não tem respaldo bíblico e desmerece, desvaloriza e descaracteriza o sacrifício único de Jesus Cristo na cruz do calvário por toda humanidade.Em nosso ritual de celebração da Ceia do Senhor sempre afirmamos: “E o Senhor, pela oferta de si mesmo, feita uma só vez, fez um sacrifício pleno, perfeito e suficiente pelos pecados de toda humanidade;”. Nós, metodistas, cremos que o sacrifício é pleno (completo); é perfeito (acabado, conclusivo, sem defeito) e suficiente (satisfaz, basta). Este é o nosso entendimento a respeito desta doutrina que é oposto ao entendimento católico romano.A unicidade do sacrifício de Jesus Cristo na cruz nos anuncia seu perdão e desfaz totalmente a necessidade de sacrifícios ou penitências ensinadas e praticadas pela teologia romana. A Palavra de Deus afirma: “Jesus, porém, tendo oferecido, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à destra de Deus, aguardando, daí em diante, até que os seus inimigos sejam postos por estrado dos seus pés. Porque, com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados” - Hebreus 10.12-14.Para o católico romano a eucaristia é um sacrifício porque representa (torna presente) o sacrifício de Jesus Cristo na cruz. A missa pode ser celebrada todos os dias da semana, menos na sexta-feira Santa. A missa pode ser celebrada com diversas intenções como: Missa em Ação de Graças (intenção de agradecimento); Missa de Defuntos – Corpo Presente, terceiro dia, sétimo dia, trigésimo dia, aniversário da morte - (intenção de rogar a Deus pela alma daquele que faleceu); Missa Campal (concentração de grandes multidões); Missa Solene (festa ou ocasião especial); Missa Pontifical (presidida pelo bispo na Catedral).John Wesle,y em seu tratado teológico sobre o catecismo católico romano, enfatiza que a Bíblia exalta a perfeição e o infinito valor do sacrifício de Jesus Cristo quando declara: “Ele não necessita, como os outros sumos sacerdotes, oferecer sacrifícios a cada dia, primeiro por seus pecados e depois pelos do povo; pois isso Ele o fez de uma vez para sempre, oferecendo-se a si mesmo” – Hebreus 7.27. Neste tratado, John Wesley chega à conclusão de que a repetição diária do perfeito sacrifício de Jesus Cristo na missa é incompatível com os ensinamentos dos apóstolos.É importante afirmar também que nós, metodistas, não cremos nem praticamos intercessão por mortos, por entendermos que é anti-bíblico, pois as Escrituras afirmam que, após a morte, só nos resta o juízo: “E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo” – Hebreus 9.27. Os católicos romanos fundamentam a prática da intercessão pelos mortos no livro de 2 Macabeus 12.14. Nós, metodistas, não reconhecemos a canonicidade deste livro, pois o consideramos um livro apócrifo (não inspirado). Como protestantes, também não legitimamos essa prática doutrinária. Não aceitamos a idéia de que os mortos estão no purgatório ou limbo, como já estudamos anteriormente, no Artigo 14, sobre Purgatório.Em meio a tantos enganos e engodos teológicos, em nossos dias atuais, reafirmamos a importância de estudarmos nossas doutrinas tendo como base a Bíblia Sagrada, que é para nós, metodistas, a nossa “única regra de fé e prática”. Vamos declarar como John Wesley: “Quero conhecer uma coisa: o caminho para o céu...O próprio Deus dignou-se a ensinar o caminho...Ele o escreveu em um livro. Oh, dá-me esse livro! A qualquer preço, dá-me o livro de Deus!”.
De seu pastor, bispo Roberto Alves de Souza.
· Bibliografia: 1. SCHOKEL, Luís Alonso. A Bíblia do Peregrino. SãoPaulo: Paulus, 2002.2. ALMEIDA, João Ferreira. Bíblia de Estudo Vida. Sociedade Bíblica do Brasil. 2 ed, São Paulo: Editora Vida, , 1999.3. GONZÁLEZ, Justo L., Obras de Wesley – v VIII, Tratados Teológicos. TTennessee: Providence House Publishers, 1998.4. HOUAISS, Antônio. Grande Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2008.
Última atualização ( Ter, 20 de Abril de 2010 15:21 )
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